Caia a tempestade sombria e sombria
E com ela cem mil gotas caiam
Caia a tempestade em noite raivosa
E com ela caia a pobre gota chorosa
Caia a gota pequena e bela
Ao seu lado caiam outras gotas mil
Mas nenhuma delas tinham em seu coração
O medo que tinha a doce gota singela
E assim caia a gota perene
Em direção ao solo de venturas e mensuras
Caia ela chorando a se lamentar:
-Pobre de mim que já fui nuvem gloriosa, serei agora apenas gota nebulosa
E Assim foi caindo com medo do estar
Tinha ela medo do Mar se tornar
Tinha medo ela de rios adentrar
Tinha ela medo da terra lhe obliterar
E assim foi caindo tal gota chorosa
Comovendo os céus em sua despedida dolorosa
E sua mãe com tal cena ficou dolorida
Mandou em seu encalço seu mais belo filho
E Na queda homérica ela foi alcançada
E pelo poderoso trovão questionada
Sua voz poderosa preencheu a escuridão:
-Porque choras minha pequena, o que te faz soluçar?
Ela respondeu ainda mais chorosa:
Tenho medo do Mar e de meus irmãos nunca mais encontrar
Tenho medo da terra e da sede dela
Tenho medos dos rios e de sua corrente impiedosa
E o trovão tremeu os céus com sua resposta:
Oh bela gota, oh meu amor então já tenho sua resposta
La embaixo a uma coisa pequena e misteriosa
Ela e levada pelos rios, engolfada pelos mares e comida pela terra
Ela é delicada e não vive mais que uma estação
E frágil e se não for protegida ate as chuvas e os ventos a levaram
Mas seu aroma é extraordinário e sua cor apazigua o coração
É o presente dos apaixonados em qualquer estação.
E a gota encantada parou de chorar
E olhando pra baixo começou a sonhar
E ao majestoso trovão ela perguntou: e o que seria isso?
E com sua voz retumbante, com seu coração pulsante ele respondeu: Uma Flor
Uma flor? Disse a gota mimosa
E olhando a terra começou a procurar
Desviou do norte e dos mares gelados e ao sul dos rios arraigados
Ao oeste fugiu do vulcão e ao leste prendeu a respiração
E então ela olhou para todos os lados, mas não via flor
E foi caindo e caindo, sinuosa e tortuosa
-Ai triste sina minha, pensou a gota a chorar, queria ser uma flor, mas com a terra irei me dar
E caindo ao chão foi devorada e para as entranhas da terra levada
-Onde estou? Perguntou a gota
-Onde as coisas começam, respondeu a semente
-Quem é você, perguntou a gota medrosa
-Quem eu sou não importa, o que importa é o que podemos ser juntos
E a gota tocou na semente, e a semente virou uma flor
E a flor era uma rosa
E não havia mais semente ou gota
Apenas flor, apenas rosa
E aquele ano, antes do fim da estação a flor foi colida em um dia de chuva
E aquele dia foi dada a mãos suaves por mãos apaixonadas
E naquele momento foi colocada na lapela pelas mesmas mãos suaves
E foi testemunha de um beijo
E foi testemunha do amor!
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